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●●● Poetas da Noite ●●●

É na noite que as coisas acontecem. Deixa teu coração gritar. Gostaríamos de te pintar na noite como pássaro que canta. vem até nós e partilha histórias! Por: Xana

Quando a porta se fecha

Francisco Fiúza, 24.10.25

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Quando a Porta se Fecha

O amor não correspondido
arde como vela em corrente de ar 
luz teimosa que insiste,
mesmo sabendo que vai apagar.

A perca não é do outro,
é da parte de nós que ficou à espera,
do gesto que nunca veio,
do toque que a alma quis, mas desespera.

Bati na porta do talvez,
e ela não se abriu.
O som da recusa ecoou em mim
como trovão num céu vazio.

Mas dizem que quando a porta fecha,
uma janela se atreve a nascer 
e talvez nela viva a oportunidade
de um amor que não doa,
mas que saiba permanecer.

Sobre

Francisco Fiúza, 24.10.25

              

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Poetas da Noite — Uma história escrita em versos e partilhas

Tudo começou por volta de 2005, quando dois amigos se cruzaram nas antigas salas de chat da rede Dalnet, no saudoso mIRC.
Dessa amizade nasceu a sala Poetas da Noite, um espaço aberto a todos os que quisessem dar voz à alma, em poemas, prosas ou simples pensamentos que pediam para ser ditos.

Com o tempo, decidimos criar um cantinho na internet onde essas partilhas pudessem ganhar vida: um blog alojado nos Blogs do Sapo, que ainda hoje guarda memórias dessa primeira fase.

Depois veio a era do Facebook. Criámos uma página e levámos connosco o mesmo espírito: o de partilhar palavras que tocam, inspiram e unem.
Mas, como acontece com as melhores histórias, a vida levou-nos por caminhos diferentes. Pessoas afastaram-se, outras chegaram, e o projeto foi ficando adormecido — até que, em 2019, o reacendi com o mesmo propósito de sempre: partilhar.

Hoje, em 2025, os Poetas da Noite continuam a ser um espaço livre, feito de emoções verdadeiras e de palavras que não se calam.
Aceitamos poemas, prosas, citações, sejam tuas ou de autores que admiras, desde que identificados.
Não há aqui lugar para lucro, apenas para aquilo que nos move desde o início: a vontade de sentir e partilhar.

25 de Abril: E Depois Do Adeus

Francisco Fiúza, 25.04.19

 

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Quis saber quem sou
O que faço aqui
Quem me abandonou
De quem me esqueci


Perguntei por mim
Quis saber de nós
Mas o mar
Não me traz
Tua voz.


Em silêncio, amor
Em tristeza e fim
Eu te sinto, em flor
Eu te sofro, em mim
Eu te lembro, assim
Partir é morrer
Como amar
É ganhar
E perder.


Tu viste em flor
Eu te desfolhei
Tu te deste em amor
Eu nada te dei
Em teu corpo, amor
Eu adormeci
Morri nele
E ao morrer
Renasci.


E depois do amor
E depois de nós
O dizer adeus
O ficarmos sós


Teu lugar a mais
Tua ausência em mim
Tua paz
Que perdi
Minha dor
Que aprendi.
De novo vieste em flor
Te desfolhei...


E depois do amor
E depois de nós
O adeus
O ficarmos sós.

Paulo de Carvalho // José Calvário  // José Nisa

Cedido por: Francisco Fiúza

 

 

A ironia deu à luz pecado

Francisco Fiúza, 05.03.19

A ironia deu à luz pecado
agora livre para se sentir tentado
Chuva torna-se ventríloqua silêncio da noite
Nuvens de dúvida
pairam sobre o pesadelo
quando tento dormir cego

A verdade acordou e confessou mentira
Tornou-se ilusão e fantasia
Antes de sucumbir à nostalgia

Comprei-lhe uma nova mente de cabedal
Para substituir a que vendi
Insanidade é glória relembrada

O amor morreu a noite passada
Ninguém deu por nada

Cospe no olho do diabo
A desgraça é o meu deus
Mergulhei-me na chuva

A realidade foi construída no desconhecido
Inventado e enlouquecido
Ainda assim guardamos as lágrimas
A cidade dorme embalada pelos que roubaram paz de espírito
E bebem do copo da esperança
Não é feito de vidro mas de plástico
Esfaqueiam a verdade numa ruela escura
Sequei-me ao ar quente do crime
Senti-me

Um anjo perdeu uma asa
Não consigo sentir a evolução da revolução desta geração
Deixei-me levar pelo vento
A alma acalma
Quando a mente te tenta mentir

e te diz que não pensas em mim
aquecida pela noite sem esperança
Aceitas o caos?

João Diogo Ricardo, Noite na cidade eterna

Johnny Richard